
Foi moça, ainda criança. Aos dezoito, a primeira boneca chorava, de verdade. Talvez por isso, aos cinquenta, carrega nos traços um jeito de menina. Destemperada e nervosa. Na brevidade de um relâmpago, vai da doçura à rudeza. A Pura, que lhe pariu Antonia, partiu. Deixou-a no colo de outra, também latina. Serviu e contida, da mãe herdou a pureza da culpa e o legado de só ser se sofrida. Sem afagos, pulou, na amarelinha, as casas da infância. Mas hoje, com as forças rudes que lhe expeliram do ventre de Pura, agarra a vida a unha, como os brinquedos que não lhe deram.