
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
sábado, 26 de setembro de 2009
sábado, 12 de setembro de 2009
voos e voltas
Num dia etílico, volta à tona . Volta a vez, a voz, a tez, a liríca engasgada. Um dia tudo passa. E a vida, cor-de-rosa partida, volta a ser amarelinha.
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SinhaninhA
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Mémorias de passarinho
Voou de volta. Ficou, no ninho quente, o ovo e um cheiro de amora.
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SinhaninhA
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
domingo, 30 de agosto de 2009
domingo, 26 de julho de 2009
verde musgo
O bolor sobe pelas paredes. As superfícies frias suam. Pela nesga da cortina, o dia cinza sorri um irônico “boa noite”.
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das Cores
domingo, 21 de junho de 2009
A., filha de Antonia
Em meio aos fogos e gritos de vitória, calou-se. Resistira o quanto pôde. Sem choro e sem berro, já sem fôlego, a ferro frio, veio à luz. O ninho morno e escuro agora lhe expulsava. Aquela era a hora. Vida ou morte? Não houve escolha. Na marra, trouxeram-na ao mundo. No início da noite mais longa do ano, compulsoriamente, a vida se fez sina.
domingo, 14 de junho de 2009
A., filha de Pura

Foi moça, ainda criança. Aos dezoito, a primeira boneca chorava, de verdade. Talvez por isso, aos cinquenta, carrega nos traços um jeito de menina. Destemperada e nervosa. Na brevidade de um relâmpago, vai da doçura à rudeza. A Pura, que lhe pariu Antonia, partiu. Deixou-a no colo de outra, também latina. Serviu e contida, da mãe herdou a pureza da culpa e o legado de só ser se sofrida. Sem afagos, pulou, na amarelinha, as casas da infância. Mas hoje, com as forças rudes que lhe expeliram do ventre de Pura, agarra a vida a unha, como os brinquedos que não lhe deram.
domingo, 7 de junho de 2009
sábado, 6 de junho de 2009
domingo, 31 de maio de 2009
sinfonia do sim

A moeda que girava quase invisível, agora tilinta no ladrilho liso e traz de volta os sons dos nossos risos infantis. Os dedos desse piano imaginário insistem, invadem os ouvidos e lembram o delírio delicado de adentrar um outro, o espaço vazio. A máquina vibra, derrama um rio de sons: locomotiva de ruídos repetidos. Na cadência incontida, busca o imenso e o perdido do outro lado de tudo. E esse batucar incessante de chuva no telhado, esse zumbido de abelha, o bater de asas, o rolar das garrafas, o farfalhar dessas folhas, a revolta das árvores amarradas ao chão sucumbem ao silêncio. As notas que escorregam de um violino remoto dançam nas curvas dissonantes do vento que sacode as janelas. As portas da memória rangem, abrem o corredor para as vozes que escapam nos gemidos de um tango esquecido. E os tambores, os mais surdos, ecoam de longe os sons ancestrais que não se entendem mais. Nas esteiras da paisagem, as nuvens se deixam levar pela gravidade desse cello anunciando tempestade. A luz precede o estampido. Disso dista, cada vez mais e mais, o dom de dizer. A palavra lavra cada vez menos. Emudece diante da capacidade que só o silêncio tem de dizer o incomensurável desconhecido.
sábado, 23 de maio de 2009
Iracema
Iracema calou. Cansou de arrastar os chinelos. Olhinhos miúdos cegavam, mas viam além, no milharal inventado, na mulher e suas duas crianças. Brincantes imaginários lhe acompanhavam no corredor do delírio. De pés desatentos pisavam juntos os dias de luz limitada. Pelo orifício de ver o mundo, estreitava-se a razão. Ampliava-se o juízo de só ver o que fazia sentido. Pouco fazia. Restava-lhe o tato. O corpo caloroso, no exercício de ser colo, esfriou aos poucos, amiudou-se. Encolheu para caber nos braços de quem viesse mais de alma que de corpo. Iracema calou. Levou junto o bailar arrastado, de passo curto e ligeiro. Foi sozinha e valente. Antes, insistiu em apagar a luz. A luz, já há tanto ausente, veio de véspera. Com as mãos débeis, Iracema acenou pela janela um adeus à derradeira manhã. Foi. Sozinha e valente, sem medo de cobra ou da morte. Foi. Esqueceu sobre a cama seu cheiro de esperança e um corpo vazio.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
a casa
(byana)Fica a casa. Inerte. Sem os sons de chinelos de antes, o silêncio reina pelos cômodos. Fecha as janelas e sobe as paredes, caminha lento pelos corredores, sem pressa, porque já não há mais onde chegar. A ausência ocupa o leito de dois que eram um, que eram tantos, conhecidos e estranhos. Não há mais as noites infinitas de dor e espera, os dias que arrastavam as pernas pararam, cessaram como as badaladas do relógio da sala, sem corda. Os ponteiros dormiram. As panelas calaram. O fogo apagou e a água da chaleira esfriou. Quais olhos agora zelarão pela estrada e o quintal? Quem trancará as portas antes de dormir, se tudo dorme? Não há mais entradas e saídas. O cachorro foi antes. Os porcos engordam sem os olhos do dono. Ficaram as galinhas ressabiadas. Os lagartos se aproximam dos ovos despejados sem cuidado e as flores que crescem desavergonhadas, agora, exalam de longe um ligeiro perfume de esquecimento...
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Ana das Dores
sábado, 2 de maio de 2009
domingo, 26 de abril de 2009
quarta-feira, 22 de abril de 2009
vestido de gala

nos olhos cerrados
há algo de Pura.
nos sonhos do outro
transforma-se a louca
na lúcida forma.
vestida de astros
no baile de Gala,
vestígios do início
fecundam Galáxia.
terça-feira, 21 de abril de 2009
ilusão de ótica
eis a lâmpada quebrada
luz derramada na sombra
trepa a parede parada
na calada da noite muda
abre-se translúcida boca
por ela passa
por ela fere
por ela flecha
esquecida entre as sobras
fita a luz
a namorar os vãos
luz derramada na sombra
trepa a parede parada
na calada da noite muda
abre-se translúcida boca
por ela passa
por ela fere
por ela flecha
esquecida entre as sobras
fita a luz
a namorar os vãos
domingo, 19 de abril de 2009
quarta-feira, 8 de abril de 2009
sábado, 4 de abril de 2009
janelas
Poesia presa na janela.
Nuvem parada,
pairando por ela.
Pela janela, enquadradas
umas sobre as outras.
Mudos na tela,
imóveis sob pés passantes.
Sobressaltos de martelo
nas cabeças dormentes
e nos ouvidos falantes.
Da janela-moldura, os olhos
no quadro, inertes, vêem
mais do que deviam.
Mulher expõe
a inocência à janela.
No jogo de azar,
por ela,
passa a vida,
a poesia
e a sorte.
sexta-feira, 3 de abril de 2009
miopia
de perto
todos sentidos
despertos
mais perto
mais meandro
pra dentro
adentra
cinco sentidos
e há mais
lá dentro
assente sentidos
de ninho
mais dentro
mostra segredos
do ventre
terça-feira, 31 de março de 2009
compasso lento
se passa atrás,
recua
enfrenta mais um,
atua
com passo a frente,
se muda
mas num entretanto
se para
recua
enfrenta mais um,
atua
com passo a frente,
se muda
mas num entretanto
se para
segunda-feira, 30 de março de 2009
quinta-feira, 26 de março de 2009
debussy
tempo estanque
imóvel silêncio vazio
vento nu
vem dedos lambendo o tempo
profana a paralisia
move lento
no tempo do vento
nuvem morre
imóvel silêncio vazio
vento nu
vem dedos lambendo o tempo
profana a paralisia
move lento
no tempo do vento
nuvem morre
quarta-feira, 18 de março de 2009
sábado, 14 de março de 2009
presto
sem adágio os andantes
pisam em falso no asfalto
infaustos se trocam por
prantos e poucos trocados
passos perdidos, na pressa
nem ouvem, é um Bach que soa
olvido nos ouvidos de quem
nunca ouviu, nem o viu
alheios ao que vem do rio
desprezam do fato o olfato
nem sentem o odor dos corpos
artelhos arranham o chão
pisam compassos lentos
pés que só passam, não fincam
pisam em falso no asfalto
infaustos se trocam por
prantos e poucos trocados
passos perdidos, na pressa
nem ouvem, é um Bach que soa
olvido nos ouvidos de quem
nunca ouviu, nem o viu
alheios ao que vem do rio
desprezam do fato o olfato
nem sentem o odor dos corpos
artelhos arranham o chão
pisam compassos lentos
pés que só passam, não fincam
sexta-feira, 13 de março de 2009
trava-língua
Se não fala
fala pouco
Se não cala
fala mais
Se não fala
cala
Se não cala
fala para!
Se não fala
falta
Se não cola
sobra
Fala com a boca!
Sela com a outra
Cala boca!
fala pouco
Se não cala
fala mais
Se não fala
cala
Se não cala
fala para!
Se não fala
falta
Se não cola
sobra
Fala com a boca!
Sela com a outra
Cala boca!
sábado, 7 de março de 2009
monólogos do depois
1.
quanto mais ouço tocar
sôo destino
que afina
2.
tanto conto miudezas
que cada vez somo
menos
3.
canto com tom tão você
que em cada nota
me traz
quanto mais ouço tocar
sôo destino
que afina
2.
tanto conto miudezas
que cada vez somo
menos
3.
canto com tom tão você
que em cada nota
me traz
quinta-feira, 5 de março de 2009
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
pequenos prazeres
ri no sol em paz
riso fácil assim
se ao sol se faz
se ao sol me deito
rio fácil assim
sol'inda me faz
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
dos pequenos prazeres
arranhões e hematomas
as manchas que
sinto
os riscos e as marcas
devoram
a derme
dormente
desperta
em micro milhares flores abertas
todas
só sentem
as manchas que
sinto
os riscos e as marcas
devoram
a derme
dormente
desperta
em micro milhares flores abertas
todas
só sentem
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
diário dos pequenos prazeres
formigas miúdas muitas
passeiam juntas
na lisa lâmina rósea
dos lábios finos
rentes às muralhas marfins
miúdas e justas
desfilam na borda do abismo
do riso fácil que se abre
passeiam juntas
na lisa lâmina rósea
dos lábios finos
rentes às muralhas marfins
miúdas e justas
desfilam na borda do abismo
do riso fácil que se abre
domingo, 15 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
para lavra
solta
..........saliva
......................soa
..............................palavra
..............................................sai
...................................presa
.........................língua
.................muda
......palavra
entra
..........saliva
......................soa
..............................palavra
..............................................sai
...................................presa
.........................língua
.................muda
......palavra
entra
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
domingo, 18 de janeiro de 2009
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
vermelho
tinha um desejo vermelho:
mergulhar
num imenso
mar
morno
e vermelho
foi então que passou pela idéia
o aço de uma navalha
vermelha
mergulhar
num imenso
mar
morno
e vermelho
foi então que passou pela idéia
o aço de uma navalha
vermelha
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
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